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  • Maria Garcia

Sobre ser bem sucedida

Atualizado: 15 de jul. de 2021


Eu não tenho casa própria, também não tenho carro, mas nos últimos anos viajei por muitos diferentes países, morei em outros tantos, conheci pessoas do mundo todo, fiz muitos amigos, que estão sempre de portas abertas me recebendo e hospedando, tive trabalhos incríveis, aprendi muito com eles, conheci outras culturas, histórias, comidas, tive amores, desamores, passei por perrengues, alegrias, aventuras, frio na barriga, sorrisos e choros.


Eu vi as pirâmides do Egito, vi as cavernas do Vietnã, vi no Iran uma cidade construída por Xerxes, o imperador dos Persas, atravessei o mar vermelho e nadei no mar morto, dancei a luz da lua na Península do Sinai, voei de balão e parapente na Turquia, vi Buena Vista em Cuba, mergulhei com peixes na Tailândia, aprendi Salsa na Venezuela, bachata na República Dominicana e tentei tango na Argentina.


Namorei suíço, italiano, alemão, argentino, e nem conto quantos beijei, tava aprendendo outras línguas. Agora namoro o amor da minha vida, que conheci na Indonésia, viajamos para o Japão e estamos morando na Suíça, porque com a pandemia perdemos o trabalho na Alemanha e viemos trabalhar no meio dos Alpes.


Vi o canal do Panamá, os Pagodes do Myanmar, surfei em Bali e Portugal. Percorri Berlim de bicicleta, vi as estrelas no deserto do Sahara, atravessei a Albânia de ônibus, vi o Mediterrâneo, o Adriático, estive no Pacífico, no Atlântico e no Caribe, vi o sol nascer nos mais diferentes lugares e apreciei ele se pondo magicamente em tantos outros, o ciclo natural da renovação. Eu não tenho casa própria, nem carro, mas eu sou muito bem sucedida, vivo uma vida completa de experiências e amor!

E como Faço para viajar tanto??


Muito trabalho, minha parcela de privilégio, muito desapego e bastante coragem pra viver sem certezas.


Mas, o principal, entender que eu preciso bem menos do que a sociedade do consumo diz que preciso para ser realizada. Um importante passo é conhecer a mim mesma para saber o que mais me faz feliz, possuir coisas ou viver experiências? Para cada pessoa é diferente, mas acredito que a sociedade louca do consumo faz com que a gente trabalhe pra consumir, cria desejos e necessidades irreais, queremos ter coisas, acumular coisas, precisamos de muitas roupas, sapatos, televisão, bolsas, carros, telefones, computadores, pratos, garfos, colheres, mesmo que na casa more uma pessoa temos 20 talheres.


Compramos coisas para praticar ginástica, muitas roupas para esporte, apetrechos para o carro, lustres, mesas, cadeiras, sofás, outro sofá, mais uma estante, quadros, uma cozinha, geladeira, fogão, taças, copos, vasos. Acumulamos comida e precisamos de potes para isso, sempre jogamos uma parte fora porque estraga. Temos cortinas, muitas roupas de cama, travesseiros, almofadas, capa de sofá, uma extra é essencial, controle remoto, pilhas.



Quando temos um bebê temos que ter mais roupas, muitas, muitos brinquedos, quase sempre de plástico, cartões, jogos, video game, dvds, milhões de objetos.

Nossas relações sexuais ou amorosas são cercadas de mais objetos, anéis, presentes, jóias, relógio, roupas, lingerie sexy, porta retratos. Se casamos duplica tudo, porque precisamos de muito mais coisas. Muitas vezes só nos damos conta da quantidade de coisas desnecessárias que acumulamos quando temos uma mudança de casa, pensa aí em uma mudança, todas aquelas caixas, o desespero, quanta coisa se junta. Nesse momento, talvez, refletimos o que é realmente essencial, importante para nossa vida humana confortável.


Precisamos entender que a vida é feita de escolhas, acho que o mais importante é ser verdadeiro com suas escolhas, sua essência, o que realmente é importante pra você.


A minha escolha até agora, porque sou mutável e estou sempre em evolução, foi explorar esse mundo, conhecer outras culturas, pessoas, línguas, cruzar os oceanos, sempre tive uma curiosidade e uma ansiedade de sair por aí sem planos. Com isso, fui entendendo que não precisava de tantas coisas, a cada viagem percebia que precisava de menos, que eu não conseguia carregar nem usar 10 pares de sapato, até porque só tenho 2 pés e que ninguém nem percebia se eu estava usando o mesmo todos os dias ou a mesma bolsa. A cada temporada viajando comprava menos e me desfazia de mais coisas.


E, com cada viagem, mais eu me conhecia. Quando se viaja sozinha , você tem que decidir sozinha o que você quer fazer, refletindo sobre tudo, planejando o próximo passo, seus roteiros e planos e, para cada decisão, você precisa entender quem você é, precisa entender o que você gosta e quer e o que você não quer, o que muitas vezes você fazia por estar com outras pessoas. Você vai comer em alguns restaurante porque é a comida que você mais ama, vai escolher se quer ir para cidade, campo, praia, cachoeira, festas. E, a cada escolha, a cada reflexão, vai se conhecer mais e se curtir mais.


É um fantástico descobrimento de si mesma, é como uma terapia intensa. Você é a dona da sua vontade, dos seus planos, dos seus erros e do seu destino, você dita seu rumo. Se conhecendo, sabendo e entendendo o que você quer, você decide o que realmente importa.



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