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  • Natacha Oliveira

Rasgue o véu, mulher! Quando você perde o chão é a vida chamando sua coragem para voar.

A mulher, Natacha Oliveira, por trás da Fisioterapeuta e da Instrutora de Mindfulness Funcional


Todos queremos viver a vida com mais leveza, mas existe uma história de vida. E nela, alguns traumas, mágoas, momentos que não fomos nossa melhor versão e momentos que com muita dor, experienciamos a pior versão do outro. Devemos apagar tudo isso com uma borracha? Não temos como e nem é a melhor saída! No entanto, saibam que por mais desconfortável que seja esse sentimento, experienciar isso também é importante! Não para ficarmos ruminando histórias passadas, mas para compreender o contexto disso, entendermos nossos padrões comportamentais e irmos em direção ao que é importante para a gente.


O que pode me ajudar, Nat? Acolher sua história, quem você é. Quem eu sou? Eu não sou apenas o que me aconteceu ou apenas o que eu faço. O self como conteúdo é minha construção verbal de quem sou, os papéis que ocupo, como me vejo, o que falam que sou, as normas de etiqueta, as normas religiosas... O que almejo? O self como contexto. Alguém que já sofreu e acolhe este sofrimento, mas alguém que também ama sorrir. A Natacha baixinha, brasileira, neta de Turco e mineirinhos (uai). A Natacha que com menos de 4 anos “achava que ensinava” jazz (dança), culinária e música para idosos. A Natacha que foi trancada pela professora do jardim aos 2 anos e a mesma Natacha que foi alvo de bulling por uma professora na pós-graduação, novamente sendo acusada de algo que eu não havia feito (olhe a vida me ensinando a me posicionar). E eu nem sabia que esta pessoa foi uma das motivações para meu autoconhecimento e minha formação em Mindfulness [ou atenção plena, é a prática de se estar no momento presente o mais consciente possível. É focar sua atenção em cada movimento, situação, respiração].

A Natacha, que tinha 15 anos quando seu pai faleceu, chorava à noite sozinha no quarto, pois não queria que sua mãe a visse triste [para não preocupá-la]. Se recompondo porque queria estudar para o vestibular, se cobrando porque meus pais pagavam com dificuldade minha escola e na minha mente, eu “tinha que passar” para uma universidade pública e já entrar assim que concluísse o ensino médio. Aliás, para a única pública que tinha a curso que eu queria. Isso aconteceu. Mas, eu não precisa ser tão rigorosa comigo assim... Eu ainda estava presa a um padrão comportamental de auto cobranças.


Mas, também a Natacha que é louca por plantas, animais, que quando está arrumando a casa, dança, ri sozinha dos próprios micos, ama acolher seus amigos e tem um lado criativo aguçado.


Eu aprendi a lidar com dores e perdas desde cedo, pois perdi minha madrinha, pessoa que eu era muito próxima, ainda na infância. Meu pai quando eu tinha 15 anos (um ano antes do vestibular) e na graduação minhas duas avós, sendo minha avó materna, a que mais sofri. Quando achei que tinha encontrado grandes parcerias e iniciei um consultório com elas, infelizmente não deu certo. Depois, mais consciente e menos eufórica, pude ver as coisas com mais clareza e entendi que realmente não era para acontecer. Aquela caminhada não estava alinhada ainda com meu propósito maior, com o que fazia meu coração pulsar e investir horas do meu dia, trabalhando com alegria sem sentir as horas passarem, sem ter que cobrar do outro o mínimo.


Não quero fazer o papel da coitada, até porque entendo que o sofrimento faz parte da nossa humanidade compartilhada e todos nós vamos experienciar ou já experienciamos a dor. Muito menos fazer o discurso do herói, porque quem ainda não entendeu que os altos e baixos fazem parte da vida, um dia compreenderá. Chega de perfis que só mostram viagens e vidas “instagramáveis”, mas nos bastidores é gente como a gente. Continue sua leitura.


Convivi com narcisistas sem saber que eram e me culpando por achar que eu era sempre a errada, a sensível, a inadequada, a fraca, apesar de me achar muito guerreira para muitas coisas. Eu tive que ouvir de um deles que para mim a vida sempre foi fácil. Rsrssrrs Por incrível quer pareça aprendi muito com estas pessoas (nunca pensei que ia falar isso).


Aprendi como não quero ser, que existe uma força dentro de nós que nem sempre acessamos. Isso despertou a autocompaixão para saber quantas realizações eu tive e não precisei manipular pessoas e, apesar dos tropeços, a vida é justa sim. Também aprendi que em certas situações, devo simplesmente me retirar. Quando dei um corte neste time pessoas, eles insinuaram que eu havia ficado louca e eu confesso que cheguei a desconfiar da minha sanidade mental. Narcisista tem a incrível habilidade de reverter as situações e nos fazer pensar que nós somos sempre os errados [até pedirmos perdão]. E quando são apegados a questões religiosas? Misericórdia!

Na verdade, foi naquele momento que eu estava renascendo... Aprendi a colocar limites e falar NÃO! Não quero mais isso. Não preciso disso. Fiquem com Deus! Aliás, ninguém precisa!


Me recolhi, conectei comigo, com novos e antigos amigos acolhedores (em especial dois casais de amigos muito especiais, que sou eternamente grata). Voltei a dançar, me exercitar com regularidade, compreender o sagrado feminino, com Deus (aqui não levanto bandeira de religião e sim que você se conecte com sua espiritualidade ou o que você acreditar), estudar ainda mais, estar mais com a natureza, meditar com mais frequência. Descobri uma força que eu não sabia que eu tinha. E, a partir daí, começou a fluir e florir na minha vida: novas parcerias, mais trabalhos gratificantes, uma alegria genuína de estar comigo mesma, sendo eu e em paz (eu não sabia o que era verdadeiramente o significado da palavra e a sensação genuína de paz). E entendi a importância de fazer escolhas.


Quando eu me conectei e abraçei a minha dor e identifiquei pessoas não acolhedoras, eu morri. Mas, eu renasci na minha melhor versão. Nessa [versão] que tenho regado e cuidado com carinho. E assim tenho conseguido adubar outras flores, cravos e, porque não, cactos por aí.



Alguma de vocês podem pensar... “Estamos na pandemia, não é possível ser otimista”. Em menos de 6 meses experienciei alguns lutos, não apenas de pessoas queridas, mas términos. A vida não é fácil, mas ela exige coragem.

Ei moça... Rasgue o véu. Qual é o seu véu? Quem é esta que ainda não veio à tona? É sua hora de voar! Independente de sua idade.


Dica: Fazer o que você ama, se conecte com você, ouvir seu coração, Terapia com psicólogos, exercícios, natureza, alimentação que vá te nutrir de verdade e não a que você usa como fuga. Se você gosta de artes (música, dança, filmes, pintura...), de amizades, familiares acolhedores e textos da Mezcla Mulher, é porque fazemos parte do mesmo oceano... Tudo no seu tempo! Chore, ria, cante, seja você e mostre seu brilho. Não para ser mais que alguém ou competir por quem brilha mais. Mas, para iluminarmos umas as outras e todos ao nosso redor.



Um abraço carinhoso para você que leu até o final.


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