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  • Natacha Oliveira

O outro lado da autoestima que você não conhecia!


Os novos tempos exigem que nos vejamos como “especiais e acima da média”. Muita gente acaba acreditando nesta ideia. Quando estamos focadas em nos ver apenas positivamente, tendemos a nos sentir ameaçadas se as outras forem melhores que nós ou não sairem como o esperado.

Todas nós já ouvimos que devemos ter uma autoestima elevada, mas o que a maior parte de nós não sabe (ou não sabia até agora) é que a autoestima também tem um lado perverso. Isso ocorre porque a autoestima depende de comparações. Além disso, as pesquisas na área revelaram que a pessoa com a autoestima elevada é insensível a feedback negativo, depende de bons resultados acima da média. Ex: Eu sou mais bonita que fulana, o emprego da fulana é pior ou melhor do que do meu, eu sou inteligente ( sendo que nesta frase tem de forma implícita a conotação de ser mais que alguém), o meu cabelo é melhor que o da fulana, eu cozinho melhor do que minha nora. Percebem? Não pensem que isto é exclusividade das mulheres. As vezes isso já é fomentado por pais com seus filhos, nas escolas, universidades, mídias sociais e acontece independente de gênero. E as pessoas nem imaginam que ela também é a raiz de problemas ligados ao preconceito e ao narcisismo.

Eis que a autocompaixão aparece através das pesquisas de Kristin Neff para você se olhar e acolher seus pensamentos, sensações, emoções tanto os que você gosta como os que você não gosta. Não é uma tarefa fácil para quem já nasce aprendendo a julgar se algo/alguém é bom ou não.

Pessoas mais autocompassivas compreendem que os sentimentos de inadequação, decepção e frustração são comuns a todos nós, isto é o que chamamos de humanidade compartilhada. A piedade vai dizer: “Coitadinha de mim.” E a autocompaixão vai te recordar que: “Ok! Eu estou sofrendo com isso, todo mundo sofre e me conforto porque somos humanas.”

Muitas vezes nós ficamos com raiva quando nos concentramos em aspectos indesejáveis de nossas vidas. Nos sentimos impotentes e ficamos apenas focadas de como a vida deveria ser (iludidas de que estamos controlando algo). Ao contrário de que dizem... focar somente dos pontos positivos também não é a melhor solução.

Quando caímos na armadilha de achar que as coisas devem sempre ir bem, tendemos a achar que tudo saiu do controle quando não acontecem como o imaginado. E infelizmente, algumas pessoas sofrem, sentem-se sozinhas e isoladas não se permitindo pedir ou aceitar algum tipo de ajuda. Agora aumente isto em uma escala maior neste momento de pandemia em que o isolamento social foi necessário.

A compaixão é uma sensibilidade ao sofrimento próprio e dos outros com um comprometimento de aliviá-lo e preveni-lo. Ela vai muito além da empatia.

A autocompaixão aprende com os erros, tem consciência realista de si mesma, tem o foco de que nos faz iguais e resliência, desta forma é possível se tratar bem mesmo quando tudo vai mal. Talvez porque passamos a entender que somos mais um e não somos seres especiais. Na maior parte das coisas estamos na média e está tudo bem ser medíocre. Não tem como todas sermos a top das tops. Todas nós desenvolvemos muitos papéis e sem nós estes papéis não seriam realizados, somos peças nesta engrenagem da vida. Ou seja, você é a melhor mãe que você pode ser, se acolha. Você está tentando ser sua melhor versão que pode ser enquanto profissional, estudante ou dentro de um relacionamento. A autocompaixão não tem relação com passividade e sim olhar os aspectos em si que não são tão interessantes de serem focados, mas ainda assim acolher e ir em direção aos seus valores.



A ironia é que a razão principal para querermos ter sucesso se encontra no desejo de sermos aceitas, nos sentirmos pertencentes de grupos. As pesquisas de Tajfel, mostraram que quando incorporamos a um grupo a nossa identidade, obtemos consciência do nosso próprio valor a partir do fato de sermos membro deste grupo (alerta de perigo!).

Isso te esclarece o fato de algumas mulheres serem por vezes até cruéis com as outras? Já viram isso em filmes de adolescentes Americanas? Pois isso acontece diariamente em nossas vidas. Quem já presenciou a cena de uma sogra comparar de forma proposital quem cozinha melhor, comparar as noras, fingir que trocou nome de ex noras. A “amiga” que compete com a outra. Duas profissionais da mesma área que uma tenta puxar o tapete da outra porque não compreende que é sobre iluminar os outros e não sobre ser estrela solitária. Estamos constantemente em pé de guerra, uma contra as outras e qual o objetivo disto tudo?! Ou melhor... Onde isso tudo vai nos levar?

E agora? Como fazer para solucionar esta questão?

Segundo os estudiosos do tema, o conflito reduz quando nos sentimos pertencentes a toda a comunidade humana e não apenas a um grupo restrito.

Pare um pouquinho de ler esta matéria e se abrace como estivesse abraçando uma pessoa muito querida. Fale palavras gentis para si mesma. Sabe as palavras que você utiliza e o tom de voz ao acolher alguém muito especial? Tente usar para você também.

A auto-compaixão envolve gentileza, humanidade compartilhada e Mindfulness. Através dela é possível compreender que nosso sofrimento está aqui, mas ele já esteve antes também e ele não é permanente. A prática de Mindfulness Funcional pode te ajudar, existem formas específicas de trabalhar a flexibilidade psicológica e meditações da bondade amorosa!

Inspiração em obras e artigos de Kristin Neff




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