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  • Isabella de Almeida Lopes

Efeitos da Pandemia


Olá! Eu sou a Isabella, hora Isa, hora Bella. Tenho 21 anos, nascida, criada e residente de São Paulo capital. Sou maquiadora de formação, mas atuo mesmo como produtora de eventos, minha maior paixão. Eu sei, escolher essa profissão morando na cidade que não para soa até meio kamikaze, mas não consigo me ver fazendo outra coisa. Apesar dessa escolha um tanto quanto doida, sempre priorizei muito minha saúde [física e mental] e bem-estar, mas essa pandemia me obrigou a fazer isso com uma profundidade um tanto quanto assustadora.


Todos tivemos problemas desde que fomos obrigados a nos trancar em casa, dos mais simples aos mais complexos. Posso dizer que sou privilegiada, porque estou há mais de um ano e meio olhando apenas para mim, para minha saúde, minha casa, minha família, e sei que essa é uma realidade um tanto quanto rara.


“Ah, então aproveitou muito, né? Fez tudo de bom e mais um pouco”. É, não foi bem assim. A situação de “não ter nada pra fazer, zero obrigações” não é tão linda quanto parece. No começo, pensei que faltariam séries para assistir com tanto tempo de sobra, faltariam inspirações de maquiagem para testar e livros para ler. Logo no primeiro mês percebi que, na verdade, faltaria tempo.


Tenho certeza de que você, cara leitora, já ouviu falar em uma coisinha chamada “ansiedade”. Pois bem, eu e ela temos uma relação de longa data, passamos por altos e baixos, quase um casamento. Em 2019, cheguei a pensar que havíamos passado por um divórcio, mas não. Foi só um tempo para respirar mesmo. Falta de concentração, angústia, medo, falta de ânimo, muito sono e pouca fome. Quem me conhece sabe que isso está bem longe de ser meu normal. Então sim. Até quem está sem trabalhar, por escolha, teve problemas nesse último ano.


Ansiedade nunca foi brincadeira, muito menos frescura. Ao mesmo tempo que você quer fazer tudo, não consegue fazer nada, por inúmeros motivos. É uma eterna falta de ar, um sentimento de “não sou capaz” com um pouco de “sou inútil”. Tem dias que 24 horas é pouco para tanta disposição. Mas, tem outros que o dia poderia acabar logo depois do café da manhã. Sabe aquela expressão “montanha-russa de sentimentos”? É a que melhor descreve.


Esse período não foi de todo ruim. Ele me fez prestar mais atenção nas pequenas coisas, pequenos momentos, pequenos gestos. Mas, principalmente, valorizar as pessoas que permaneceram. Nunca fui aquela que tem mais amigos do que dedos nas mãos, e isso sempre me incomodou, infelizmente. Hoje sei que de nada adianta ter tantos amigos assim. Basta ter aquela pessoa que sempre vai estar lá quando você precisar. Que vai te fazer rir quando você só quer chorar. Se você tem uma pessoa assim, então tem as mãos cheias de amigos.


Cada dia é uma nova tentativa de me sentir melhor. Como muitas pessoas, passei por várias fases: reformei meu quarto, cuidei de plantas, me arrisquei na cozinha, pintei meu cabelo em casa, transformei roupas velhas em novas, fiz milhares de maquiagens, me exercitei e tomei sol no quintal de casa, livros e filmes então nem se fala. Além de um maravilhoso e sempre muito bem-vindo detox das redes sociais. Sempre me considerei alguém que se conhece muito bem, mas estava enganada. Acho que nem mil anos serão suficientes para que eu me conheça por completo.



Foram várias as lições que tirei dessa fase que está próxima do fim, e uma delas é: não precisa ter pressa, larga esse celular, viva um dia por vez e valorize quem está do seu lado. Relembrando algumas das minhas crises, me pergunto como consigo levá-las com tanta leveza, e as vezes até dar risadas. Eu sei como: graças às pessoas que tenho a sorte de poder chamar de família, as de sangue também. Mas, principalmente as de coração. Graças ao amor, meu por elas, delas por mim e, claro, o meu por mim mesma e pela vida.



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